terça-feira, 24 de maio de 2011

O mar revoltava-se...

...ao longe como tropa de uma guerra sem inimigo. As ondas que me chegavam aos pés, de tanta raiva que tinham na força, obrigavam-me a passo e meio na direcção que seguiam. A brisa intensa envolvia os meus cabelos numa dança tribal e a vontade de entrar nesse remoínho de forças despertou em mim. Vi nesse mar todas as lágrimas que não tenho deixado sair...estremeceu o meu peito com a marcha desses soldados, estremeci eu...
estremeceu a minha Alma com esse passo agitado...era mais forte do que eu.

Mais passo e meio e a guerra agarrou-me pela cintura. Relembrou-me do teu abraço...que me segurava sempre que algo em mim fugia; a força, a vontade...a alegria! Mas este abraço queria-me levar, queria que eu não resistisse...levava consigo a areia onde os meus pés se enterravam, queria-me ver tombar.

O palpitar do meu peito também me empurrava para a frente...e o turbilhão já quase não me deixava respirar.

Cedo cedi à emoção... e escorreu-me pelos olhos a outra metade desse mar.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Pela Janela...

...escorria a chuva daquele dia de Inverno. A par e passo com as suas lágrimas,desfocava a paisagem. Não sendo a paisagem o que ele via naquele momento, o cenário esbatido calhava bem.
A nostalgia passava-lhe imagens passadas como um grande projector...fotografias e películas de momentos arquivados...ou talvez não!
Segurava a chávena de chá fria sentado na cadeira de baloiço; já estava naquele cliché há algumas horas.

Quando acordou de manhã soube que o dia seria assim. Faltaram-lhe as forças para sair da cama e rendeu-se a mais algumas horas de sono forçado. Já não luta contra a maré! Arrastou-se da cama já a meio do dia, virou a cadeira para a janela, enrolou-se numa manta, meteu a água a ferver e deixou o dia frio e cinzento fazer o resto!

Não é conformista, não tem pena de si mesmo e não está irremediavelmente deprimido! Não sente prazer na dor e no sofrimento, não está preso à melancolia! Faz tudo o que está ao seu alcance para que o dia o empurre tão para baixo quanto possível. Não luta, deixa-se escorregar pelas imagens projectadas para dentro de si.
Não está irremediavelmente deprimido...quer bater no fundo, chorar até secar...porque amanhã já não vai ser assim!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Palavras para quê...

Já não as tens! Procuraste ao longo destes anos, dentro de ti, por todos os sentimentos que conseguias transformar em nomes; esgotaste os arredores do coração e acabaste por rompê-lo com a força da urgência. Querias palavras que levassem com elas um bocado de ti.

O seu ar sereno sempre denunciou o teu insucesso. Se por dentro o teu coração rompia, caiu apenas dentro de ti o que nele se agitava!

As palavras com que ele te agarrava não coadunavam com o seu abraço! E quando os abraços se foram esquecendo...as palavras nunca mais se lembraram de ti!

Na esperança de que ele fosse tão alienado quanto alguém pode ser, convenceste-te de que talvez nem todos soubessem amar!

Quem te via nessa busca interminável não percebia a que parte da tua tamanha fraqueza ias buscar tanta força!

Ninguém nunca soube amar como tu!

domingo, 18 de julho de 2010

The meaning of life!

What is the meaning of life?

"Every day that goes by, you know more than before. Your eyes open wider and you know more. You won't wake up today as you went to sleep last night. That's what life is for."

Adorei!!!!

www.6billionothers.org

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Agora..

...que te vês sozinho nessa casa que parece crescer a cada dia que passa, sentes que és mais vazio do que pensavas ser! Quiseste libertar-te de tanto e agora vês-te preso a tão pouco...

Sabias da paixão pela vida que tinhas dentro de ti e que ela não sabia acompanhar, e achaste que sozinho corrias mais rápido por aquele campo de relva.

Mas esta noite adormeceste nessa corrida, ao som da música que te acelerava o metabolismo, e o sono profundo meteu alguém ao pé de ti. Sonhaste de mãos-dadas com quem não conheces mas que tens a certeza de já estar algures por aí.

Revoltou-te seres traído pelo sonho. Revoltaram-te as chapadas de luva branca que o teu inconsciente escondeu de ti.

A manhã solarenga revelou-te uma cama que ainda tinha espaço para mais um, e o sonho ainda fresco tirou-te as forças até aí acumuladas. A vontade de deixar cair nos lençóis as lágrimas que sabias ter dentro de ti fez-te permanecer caído de olhar fixo no nada por dois ou três minutos. Porque não aceitaste o vazio que tens dentro de ti, levantaste-te, engoliste em seco o nó que te pesou no estômago, debruçaste-te sobre a mobília e forçaste um sorriso para te cumprimentares ao espelho...

...partiste sozinho para o campo de relva, num andar cansado, como quem foi arrastado de novo para o ponto de partida, mas consciente da força que ainda havia em ti!

terça-feira, 22 de junho de 2010